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terça-feira, 13 de junho de 2017

Valentões covardes se juntam para xingar Míriam Leitão em voo da Avianca

Com uma história pessoal marcada pela intolerância, como jovem militante de esquerda presa e torturada na ditadura, a jornalista e comentarista de economia Miriam Leitão foi agredida verbalmente por simpatizantes do PT em voo Brasília-Rio no último dia 3 de junho. O relato foi publicado por ela em sua coluna no jornal "O Globo" desta terça-feira, 13. "Foram duas horas de gritos, xingamentos, palavras de ordem contra mim e contra a TV Globo", escreveu.
"Não eram jovens militantes, eram homens e mulheres representantes partidários. Alguns já em seus cinquenta anos. Fui ameaçada, tive meu nome achincalhado e fui acusada de ter defendido posições que não defendo", acrescentou. Segundo a jornalista, ela foi ameaçada, xingada e chamada de "terrorista" durante a viagem por cerca de 20 pessoas.
Após o relato da jornalista, associações de jornalismo repudiaram o ataque.
O diretor executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, afirmou que a associação se solidariza com a jornalista e que o comportamento violento revela autoritarismo.
"É preocupante esse tipo de manifestação de intolerância em relação à atividade jornalística. Revela autoritarismo, obscurantismo e um lamentável comportamento violento. A ANJ se solidariza com a Míriam, na certeza de que ela continuará fazendo o jornalismo de grande qualidade que sempre fez", disse.
Já a Associação Brasileira de Jornalista Investigativo (Abraji) divulgou nota repudiando o comportamento dos passageiros que "de maneira covarde e intolerante, atacaram a colunista Míriam Leitão".
"O dissenso é saudável para uma democracia, e o embate civilizado de ideias é o melhor caminho para a construção de uma sociedade mais justa. A violência, a intolerância e a incompreensão do papel da liberdade de expressão, ao contrário, podem ferir de morte o regime democrático", continua a nota.
Míriam termina sua coluna afirmando que não acha que "o PT é isso", mas repetindo que "os protagonistas desse ataque de ódio eram profissionais do partido". A jornalista diz que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou, mais de uma vez, seu nome em comícios e reuniões do partido. "Como fez nesse último fim de semana. É um erro. Não devo ser alvo do partido, nem do seu líder", escreveu.

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