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terça-feira, 23 de maio de 2017

Sete deputados mineiros são citados pelo executivo da JBS, Ricardo Saud


Pelo menos sete deputados mineiros que exercem mandato atualmente aparecem no acordo de colaboração premiada dos executivos da J&F, holding que controla a JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
No documento da Procuradoria Geral da República (PGR), obtido pelo Hoje em Dia, o diretor de Relações Institucionais e Governo do grupo J&F, Ricardo Saud, relata aos procuradores repasses a cinco deputados federais e dois estaduais, num total de R$ 2,3 milhões.
Conforme o termo de colaboração assinado por Saud, os pedidos de dinheiro dos políticos eram apresentados, em regra, a ele, que então os levava a Joesley. Ainda segundo o delator, o método de pagamento era sempre determinado pelo político, podendo consistir em “doação oficial, pagamento de notas fiscais avulsas ou entrega em dinheiro em espécie”.
Cash
E foi justamente a modalidade dinheiro em espécie apontada como a escolhida pelos deputados federais Zé Silva (SD), Aelton Freitas (PR) e Marcos Montes (PSD), esses dois últimos conterrâneos de Saud, que nasceu em Uberaba, no Triângulo, cidade onde também já exerceu o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico.
Segundo a delação, Aelton Freitas recebeu “R$ 200 mil em espécie em 22/9/2014, entregues por Ricardo Saud a Pio, sócio e amigo do deputado na antiga sede da J&F, em São Paulo”.
Um dia depois teria sido a vez de Marcos Montes. De acordo com o documento, o político recebeu “R$ 200 mil em espécie em 23/9/2014, entregues por Ricardo Saud à secretária parlamentar Mara na antiga sede da J&F, em São Paulo”.
Já Zé Silva, ainda segundo o delator, pegou “R$ 200 mil em espécie em R$ 19/9/2014, entregues por Ricardo Saud” no mesmo endereço na capital paulista.
No caso do deputado federal Gabriel Guimarães, a delação aponta o recebimento de “R$ 200 mil em 3/9/2014, por meio de pagamento de nota fiscal avulsa emitida por Andrade Antunes e Henriques Advogados”. Localizado na praça Carlos Chagas, no Santo Agostinho, o escritório tem Gabriel Guimarães de Andrade no quadro societário.
No anexo da colaboração premiada dedicado ao governador Fernando Pimentel (PT), ele é apontado como destinatário de um “repasse mensal de R$ 300 mil, enquanto era ministro do Desenvolvimento e Comércio de 6/8/2013 a 29/10/2014, feito por meio do escritório Andrade, Antunes e Henrique Advogados”. É o mesmo escritório que aparece na delação sobre Gabriel Guimarães.
Segundo o delator, “o pagamento era feito mensalmente pela empresa (J&F) com nota fiscal emitida pelo referido escritório, no valor de R$ 300 mil, sem que o escritório prestasse qualquer serviço à empresa”.
Campanha
O senador afastado Aécio Neves (PSDB) também ganhou um capítulo à parte. O delator afirma que o então candidato à Presidência da República “orientou que a propina fosse distribuída para a compra de partidos políticos para que integrassem a coligação da candidatura de Aécio”.
Como presidente nacional do PTdoB, o deputado federal Luis Tibé teria sido o destinatário de R$ 1 milhão. Segundo o delator, o dinheiro foi repassado via doação oficial ao diretório nacional em 15/9/2014. “Funcionou como intermediário das tratativas para
o pagamento junto a Ricardo Saud, o deputado federal Luis Tibé”, diz o documento. O PTdoB oficializou a mudança do nome da legenda, rebatizada como Avante neste ano.
Também em 15/09/2014, R$ 250 mil foram para o comitê financeiro regional do PTC, em Minas. “Funcionou como intermediário das tratativas para pagamento junto a Ricardo Saud, o sr. Anselmo Domingos”. Anselmo é deputado estadual e, desde 2002, é presidente estadual do Partido Trabalhista Cristão (PTC).
Na mesma data das doações ao PTC e PTdoB, o PTN, cujo diretório estadual é presidido pela deputada estadual Arlete Gonçalves Magalhães, irmã do vereador Wellington Magalhães, recebeu, em doação oficial, R$ 250 mil, de acordo com o delator.
Políticos que aparecem na colaboração premiada negam denúncias
Políticos mineiros citados na delação de Ricardo Saud, da J&F, negaram as acusações. A deputada estadual Arlete Magalhães (PTN) e o deputado federal Aelton Freitas (PR)disseram que as doações recebidas da JBS foram declaradas na prestação de contas e entregues ao TSE.
Mesma justificativa foi dada por Luis Tibé, que afirmou que os valores foram destinados “à campanha presidencial do partido do qual o PTdoB fazia parte da coligação”.
O deputado federal Marcos Montes (PSD) afirmou que nunca escondeu ter recebido doações de empresas ligadas ao setor agropecuário e disse que os valores estão registrados na prestação de contas ao TSE. “Mas jamais fiz promessas ou acordos em troca de apoios, mesmo porque pertenço ao setor e sempre o defendi. E defendo por uma razão que é de conhecimento de todos: a agropecuária é o setor que segura as pontas da economia brasileira”, afirmou.
Segundo ele, "é preciso dar transparência, separar o joio do trigo, facilitar o entendimento por parte da população e evitar que se misture ações eleitorais com ações criminais".
Caluniosa
Já o deputado federal Zé Silva (SD) disse que a citação de seu nome foi “caluniosa”. “Em sua fala, o diretor da empresa afirma ter doado, em meu nome, R$ 200 mil, em espécie, a alguém que não sabe dizer quem. Nunca autorizei quem quer que seja a pedir ou receber doação em meu nome de forma não oficial. Declarei, oficialmente, a doação feita pela empresa JBS, por meio do Solidariedade, no valor de R$ 100 mil, que é possível confirmar no TSE”, disse. O deputado Anselmo Domingos não se pronunciou.
A defesa do governador Fernando Pimentel (PT) informou que o delator, no caso Saud, disse que os pagamentos foram feitos a um escritório de advocacia e não a Pimentel, “que não tem conhecimento sobre essa história estapafúrdia e mentirosa”. Nas redes sociais, Pimentel declarou que está “sendo acusado de forma leviana e mentirosa”. “O acusador não apresenta provas. Não tenho e nunca tive ligação com esse escritório de advocacia”, disse.
O escritório em questão é o Andrade, Antunes e Henriques, que tem o deputado Gabriel Guimarães entre os sócios. Questionado sobre a citação, o escritório não quis se pronunciar. Já a assessoria de Gabriel disse que o parlamentar irá falar hoje sobre as citações.
A assessoria de imprensa de Aécio Neves (PSDB) disse, em nota, que o próprio delator Ricardo Saud afirmou à PF que: “Ele (Aécio) nunca fez nada por nós”, o que torna infundada qualquer acusação de pagamento de propina. Segundo a nota, os recursos recebidos pela empresa em 2014 estão declarados e não envolveram contrapartida ou dinheiro público.
(Hoje em Dia)

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