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sexta-feira, 24 de março de 2017

DILMA SABIA, AFIRMA MARCELO ODEBRECHT


Dilma sabia
De acordo com Marcelo Odebrecht, até 2010, todos os pedidos eram feitos por Palocci. Até então, não havia negociações com Dilma. No entanto, após iniciar seu primeiro mandato, em 2011, passou a tratar da “relação” do PT com a Odebrecht.
“Ela [Dilma] começou a cuidar, digamos assim, da relação – porque 2010 ela praticamente nem olhou as finanças, acho que todos os pedidos de doação foram feitos por Lula, Palocci. E ela nem se envolvia em 2010″, disse Odebrecht.
De acordo com ele, durante a campanha à reeleição, Dilma teria recomendado que todos os recursos fossem doados ao PT, mas especificamente, para sua campanha. O assunto foi tratado com Guido Mantega, que teria relatado o pedido da petista: “Marcelo, a orientação dela [Dilma] é que todos os recursos de vocês vão para a campanha dela. Você não vai mais doar para o PT, você só vai doar para a campanha dela, basicamente paras as necessidades da campanha dela: João Santana, Edinho Silva ou esses partidos da coligação”.
Em um dos trechos do documento, Marcelo Odebrecht diz que a ex-presidente Dilma Rousseff sabia. “A Dilma sabia da dimensão da nossa doação, e sabia que nós éramos quem doá… quem fazia grande parte dos pagamentos via Caixa Dois para João Santana. Isso ela sabia”, diz.
Conforme relatado pelo G1, que também afirma ter tido acesso ao documento, Marcelo Odebrecht afirmou ter doado R$ 150 milhões à chapa Dilma-Temer em 2014, mas não separou os valores em doação oficial e caixa dois.
“Nós tínhamos uma relação intensa com o governo. Essa relação intensa, ela gerava também a expectativa de que a gente fosse um grande doador. Então, eu, para não ser pego de calças curtas, eu sempre tentava negociar com meus empresários um valor que, na hora que viesse essa demanda do governo, eu tivesse, da parte deles, uma segurança de que esse recurso haveria”, disse Odebrecht.
Dos R$ 150 milhões, R$ 50 milhões seriam pela aprovação, em 2009, da medida provisória 470/2009, editada pelo governo Lula e que beneficiava empresas do setor.
“Então, em 2009, houve, de fato, para esse caso, uma contrapartida específica para a aprovação de um projeto de lei que atendia a várias empresas. E esses cinquenta milhões vieram com um pedido para a campanha de 2010. Só que acabou não indo para a campanha de 2010, não sendo utilizado na campanha de 2010, e acabou sendo utilizando na campanha de 2014″, disse o empresário ao TSE. Guido Mantega, de acordo com Marcelo Odebrecht, era o interlocutor da empresa com o governo.
Sobre o início da relação com Dilma, ele disse ter avisado que tratava das doações com Palocci. “Eu falei com ela [Dilma]… olha, Presidente, em 2010, 2009, em 2010, eu falei: Presidente, tudo eu estou tratando com o Palocci, era o meu combinado com o Lula, tá ok? Ela falou: ‘Tá ok’.”

Em nota, a assessoria da ex-presidente Dilma informou que ela “sempre manteve uma relação distante do empresário, de quem tinha desconfiança desde o episódio da licitação da Usina de Santo Antônio” e afirmou que é preciso incluir provas aos depoimentos.

(Congresso em Foco)

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